12 março 2010


Margaret Thatcher subiu ao poder em 1979 e ganhou o seu lugar no Olimpo com duas sentenças que são um vasto programa: "não há alternativa" e "a sociedade não existe". Deste modo, proclama-se o dogma do pensamento único - e vejam como ele está presente no miserável plano de estabilidade e crescimento (PEC), com o congelamento das prestações sociais não contributivas (pensões de velhice e invalidez, rendimento social de inserção, complemento solidário para idosos, abono de família...), a perda salarial e os cortes no subsídio de desemprego como estímulo a que se aceitem baixos salários ou ocupações precárias.
Toda a «terceira via», Sócrates e o PS incluídos, clamavam ainda há um ano contra o pacto de estabilidade e crescimento (milhares de milhões de vezes adjectivado de "estúpido") e a selvajaria neoliberal. Hoje a amnésia selectiva volta a actuar. Este PEC é um manifesto de aumento da pobreza e das desigualdades, com o resultado já anunciado de manutenção do desemprego e de estagnação da economia (previsão do mais baixo crescimento da zona euro em 2013. O remédio mata.
Por isso o individualismo negativo de que Fala Robert Castel aumentará (isolamento social dos mais pobres e vulneráveis; quebra das sociabilidades do mundo do trabalho; vergonha pessoal e social; invisibilidade pública). Na verdade, a «sociedade» incomoda. Mais vale milhões de indivíduos transformados em átomos, como ilhas, sem qualquer interdependência ou orientação colectiva. Aí a oferta e a procura soltas serão a única lei.
Esta governabilidade (PS, PSD, CDS) é o verdadeiro problema. A principal fonte de instabilidade, incerteza a insegurança. Ninguém pode ficar calado. A resposta tem que mostrar que há alternativa e que a sociedade existe.
Artigo de João Teixeira Lopes

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